
Se você mencionar o rapé, muitas pessoas não saberão do que você está falando. Mesmo quando você explica o que é rapé, a maioria não conhece ninguém que o utilize. Em comparação com outros métodos de desfrutar do tabaco, inalar tabaco moído pelo nariz é algo muito raro atualmente. Todos conhecem alguém que fuma cigarros, charutos ou cachimbos, ou alguém que masca tabaco. Já o uso do rapé é visto como uma raridade ou algo meramente folclórico.
O rapé é simplesmente tabaco, mas é muito mais do que isso. Trata-se de uma forma de consumir tabaco sem queimá-lo. O rapé é insuflado, ou “aspirado”, pela cavidade nasal, liberando uma rápida dose de nicotina e um perfume duradouro. Alguns rapés são predominantemente “naturais”, com aroma de tabaco, enquanto outros são aromatizados com fragrâncias adicionais. A aromatização do rapé não significa a adição de outros pós; ao contrário, trata-se de um processo natural de incorporação de aromas que também trazem benefícios e enriquecem o tabaco. Longe de ser uma forma de “camuflar” o cheiro do tabaco, a verdadeira aromatização existe para valorizá-lo.
O rapé não é familiar para a maioria das pessoas e, por isso, está sujeito a mitos e mal-entendidos sobre seu uso. Muitos acreditam, erroneamente, que o rapé faz a pessoa espirrar de forma exagerada, que usá-lo machuca o nariz ou que se trata de uma prática perigosa. Às vezes, quem toma rapé precisa assoar o nariz devido à reação natural do corpo ao tabaco, mas assoar o nariz é algo que todos fazem de vez em quando. Quando necessário, os tomadores de rapé simplesmente assoam o nariz como qualquer outra pessoa. O rapé é uma das formas mais limpas e discretas de desfrutar do tabaco.
É comum que pessoas que usam rapé pela primeira vez espirrem no início. Até mesmo usuários experientes espirram ocasionalmente. No entanto, à medida que se ganha prática e o corpo se acostuma à sensação, os espirros tornam-se raros. Parte desse aprendizado envolve saber quanto rapé usar, com que intensidade aspirá-lo e a que profundidade puxá-lo. Alguns tomadores de rapé consideram até mesmo um bom espirro forte como algo revigorante.
As caixas de rapé antigas estavam entre os objetos mais diversos e intrigantes já feitos para uso do tomador de rapé. Eram produzidas em uma grande variedade de materiais, como ouro, marfim, osso, esmalte e madeira. Apresentavam inúmeras formas: redondas, quadradas, ovais, em formato de animais, figuras humanas, sapatos, foles, bolotas, caixões, peixes, livros, relógios de pêndulo e relógios de bolso, para citar apenas alguns exemplos. Quanto às tampas, existiam basicamente dois tipos principais: tampas simples ou com dobradiça.
Pequenas ou grandes, para o bolso ou para a mesa, essas caixas antigas eram essenciais para manter o rapé hermeticamente fechado até o momento do uso, além de permitir o transporte de pequenas quantidades. Algumas eram tão diminutas que carregavam, literalmente, apenas o suficiente para uma única “pitada de rapé”.
Existem dois tamanhos principais de caixas de rapé: as destinadas à mesa e as feitas para uso pessoal.
As caixas de rapé são, naturalmente, itens de colecionador muito valorizados e, quando antigas, podem atingir preços elevados — centenas ou até milhares de dólares. Os colecionadores de caixas de rapé têm tanta probabilidade de usá-las para consumir rapé quanto os colecionadores de livros têm de ler seus exemplares raros. Para o tomador de rapé, porém, a caixa é um utensílio prático do dia a dia, assim como, para um cozinheiro, a frigideira não é um objeto de vitrine, mas uma ferramenta de trabalho.
Entretanto, um bom cozinheiro não usa uma frigideira velha e inadequada; da mesma forma, o rapé dificilmente será bem conservado se for guardado em qualquer lata comum. A caixa de rapé deve ser hermética e possuir uma dobradiça firme. Não deve ser grande demais — pois conter muito rapé por longos períodos favorece a entrada de ar — nem pequena demais, já que nada seria mais frustrante do que ficar sem rapé “no meio de um discurso planejado de uma hora na Câmara dos Lordes”. A tampa deve ser plana; se for saliente, isso geralmente indica entrada de ar, o que é indesejável.
Portanto, uma caixa de rapé não é simplesmente uma caixa velha. Trata-se de um artefato engenhoso, e um dos mecanismos mais notáveis é o inventado pelo escocês James Sandy: a dobradiça hermética de Laurencekirk, criada no final do século XVIII.
Assim, caixas de rapé que sejam ao mesmo tempo baratas e funcionais são difíceis de encontrar — e fáceis de perder.
Allen Phillips Griffiths

"Diga o que diga Aristóteles e toda sua filosofia, não há nada que se compare ao rapé. É a paixão dos nobres. Não exagero, quem não ama o rapé não é digno da vida. O rapé não apenas purifica e alegra o cérebro, mas estimula a alma, conduz à virtude, e o seu uso (gesto) refina as boas maneiras. Reparem. Notem a generosidade de quem o usa, a graça com que o oferece a todos, aqui, ali, contente de distribuí-lo à esquerda e à direita, sem esperar que ninguém o solicite. O tomador de rapé antecipa o desejo alheio. Acho admirável essa propensão do rapé para inspirar sentimentos de gentileza e desprendimento em todos que o fungam."
Cena Inicial de Leporelo, servente de Don Juan, na obra de teatro do autor Francês Moliére
Infelizmente, no Brasil, o rapé costuma ser vendido em estado bruto, apenas fumo picado — e, em muitos casos, é praticamente inutilizável devido à irritação que causa. Diferente disso, nossos rapés são verdadeiramente aveludados, aromáticos e elaborados com ingredientes naturais, sem adição de pós artificiais. Cada mistura é produzida seguindo as receitas mais tradicionais da Europa e das Américas, preservando a arte e a sofisticação do verdadeiro rapé clássico.