
Essa é a pergunta que quase sempre surge em uma primeira conversa com alguém que desconhece o costume de tomar boas pitadas — e ela me causa profunda indignação. Compreendo que, no mundo atual, somos poucos — e até raros — os tomadores de rapé. Mas o fato de um item tão presente em nossa História e Literatura ter caído em completo esquecimento, a ponto de a palavra rapé não evocar absolutamente nenhuma ideia ou referência para muitas pessoas, é algo verdadeiramente assombroso.
É verdade que décadas de propaganda antitabagista colocaram o cigarro e todas as demais formas de consumo do tabaco no mesmo balaio, levando à demonização indiscriminada do tabaco em geral. Ainda assim, o total desconhecimento de uma cultura tão rica parece excessivo para quem nasceu no século passado e conviveu com ideias, costumes e lendas oriundas do século anterior.
Nesse contexto, iniciativas como a Rapé Império do Brasil representam um marco fundamental para preservar, manter e transmitir essa imensa herança cultural. Inclusive — e talvez especialmente — para aqueles que, por qualquer motivo, não a apreciam, pois assim podem ao menos saber, com fundamento, o que estão rejeitando. Reviver mitos, esclarecer relatos e resgatar o sentido histórico de um tema tão vasto quanto o rapé é o que nos move.
Os ventos, porém, são completamente adversos. A censura e as inúmeras restrições tornam cada vez mais difícil a manutenção e a continuidade desse trabalho. Ainda assim, enquanto houver meios, seguiremos firmes. O que começou como um projeto tornou-se um ideal.
Todos os nossos produtos, brindes e acessórios são pensados para realçar, dignificar e promover o rapé para milhares de “rapezeiros” anônimos e solitários espalhados por todo o país. Mais do que produzir rapé, acreditamos manter acesa a chama trêmula de uma candeia que está prestes a se apagar. E cada cliente que compartilha nossas ideias, que curte e divulga nossas postagens, não promove apenas um produto: impulsiona uma cultura inteira, resistindo à censura e ao esquecimento dos nossos dias.
Hoje, somos o único produtor e vendedor de rapé feito no estilo europeu no Brasil. Isso surpreende, mas a produção nacional existente segue, em sua maioria, matrizes indígenas, resultando em um produto muito diferente do rapé tradicional europeu.
Após tantos anos sem uma verdadeira produção nacional de rapé, surge a pergunta inevitável: mas por que este é o verdadeiro rapé?
A resposta é simples. A produção do verdadeiro rapé envolve uma série de processos rigorosos: seleção da folha, cura adequada, fermentação controlada e maturação. O que se vende hoje, em muitas tabacarias, é apenas a farinha do bolo — não o bolo em si. Nosso rapé é produzido segundo essa receita tradicional e antiga: um produto complexo, profundo e grandioso.
Nossa linha atual é composta por quatro séries distintas, cada uma com identidade própria. Seus nomes são inspirados em figuras e títulos do Império do Brasil, reforçando o vínculo entre tradição, história e excelência.
Os apreciadores de rapé conhecem bem o alto custo de uma simples latinha de snuff importado, além das dificuldades inerentes à importação. Eis, então, o triunfo do rapé nacional: pela primeira vez, por meio de nossa fabricação, é possível oferecer no Brasil a qualidade dos grandes rapés internacionais em um produto genuinamente brasileiro.
Muitos se mostram incrédulos — ou até indignados — quando afirmamos ser hoje o único produtor de rapé no país. A explicação é direta: basta observar o mercado nacional. A produção existente sempre foi barata, rudimentar e voltada a um produto de baixa qualidade — novamente, apenas a farinha do bolo. Some-se a isso o fato de que outras formas de consumo do tabaco sempre foram mais populares; até mesmo o fumo de mascar é mais aceito do que o rapé.
O resultado é evidente: o rapé nacional vendido nessas latinhas tornou-se, ao longo do tempo, intragável e quase insuportável ao uso. Um produto desconfortável, desagradável, que acabou marginalizado. Ao resgatar antigas receitas e técnicas tradicionais, buscamos devolver ao tabaco nacional o brilho, a nobreza e a dignidade que o rapé sempre possuiu.
O rapé sempre esteve presente na História: nas cortes europeias, entre reis e nobres, mas também no campo, entre o povo. Com a ascensão do cigarro e o fechamento das antigas fábricas de rapé, sua imagem foi distorcida. Passou a ser visto, injustamente, como algo tosco e ultrapassado. No Brasil, esse preconceito ainda persiste, inclusive entre apreciadores de outras formas de tabaco.
Para transformar essa visão, é essencial tomar rapé com naturalidade, elegância e respeito. Não há motivo para esconder-se ou agir de forma caricata. O rapé é uma tradição nobre, que merece ser apresentada com orgulho e serenidade. Oferecer uma pitada, explicar sua história e destacar a qualidade do produto são gestos simples que ajudam a valorizar essa cultura.
Na Rapé Império do Brasil, trabalhamos diariamente para resgatar a dignidade do rapé, oferecendo produtos de excelência e mantendo viva essa tradição secular.
Por isso, nenhum outro nome poderia ser mais justo e apropriado do que Império do Brasil.
Infelizmente, no Brasil, o rapé costuma ser vendido em estado bruto, apenas fumo picado — e, em muitos casos, é praticamente inutilizável devido à irritação que causa. Diferente disso, nossos rapés são verdadeiramente aveludados, aromáticos e elaborados com ingredientes naturais, sem adição de pós artificiais. Cada mistura é produzida seguindo as receitas mais tradicionais da Europa e das Américas, preservando a arte e a sofisticação do verdadeiro rapé clássico.